Baú de Achados é um podcast de narrativa, ou seja, um programa de áudio que traz histórias dramatizadas, algo parecido com as rádionovelas. Além das lendas contadas pelo Teatro de Retalhos com leveza e bom humor, os episódios apresentam curiosidades culturais de cada país de forma descontraída. Todos os episódios contam com roteiros e trilhas sonoras originais, criados pelo grupo e artistas convidadas e estão disponíveis nas principais plataformas de streaming.
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quarta-feira, 27 de maio de 2026
Transcrição com LSE - Ep. 01 - Paraguai - Os Macaquinhos de Tupã
[crianças gritam e riem] Baú de Achados!
[Narradora] Olá, pequena irmã! Olá, pequeno irmão! Você acaba de abrir o Baú de Achados.
[baú abre e range]
[Narradora] É aqui que a gente guarda as histórias e as criaturas fantásticas que dividem com a gente esse território mágico chamado América Latina. Se tem uma coisa que o nosso povo sabe fazer, é criar encantamento. Então, prepare-se. No sopro do vento,
[vento uiva forte]
[Narradora] nós vamos fazer uma viagem... e vamos chegando no... Paraguai!
♪ dedilhado de violão ♪
[Macaco] Uh, uh, uh... Uh, ah, ah...
♪
[Contador] No compreendo, que dices?
♪
[Macaco] Uh, ah, ah...Uh, ah, ah.
Uh, uh, uh! Uh, ah, ah.
[Contador] ¿Quieres contar tu propia historia? Está bien, déjame cambiar mi idioma a portugués para que los niños de Brasil entiendan.
[efeito de transição]
[Contador] Pronto. Agora vamos começar a história.
[Macaco] Uh, uh, uh. Ah!
[Contador] Como eu consigo mudar assim?
[Macaco] Ah!
[Tupã] Ora eu sou uma divindade não sou?
[Macaco] Uh, uh, uh... Uh, ah, ah...
Uh, uh, uh! Uh, ah, ah!
[Contador] Verdade, quem está me ouvindo
não consegue me ver, vou me apresentar.
[Contador] Sou Tupã o deus da natureza e do natural. Os povos originários de vários países conversam comigo, inclusive aí no Brasil. Mas essa história é paraguaia e vai ser de lá que vamos falar…
[Macaco] Uh, ah, uh... Ah. Ah! Ah!
[Tupã] Ah, tá bem, já ia esquecendo de mudar sua língua de macaquês para português, mas saiba que será só até o fim desta história. Não invente nenhuma gracinha.
[explosão suave]
[Macaco] Pode Deixar… Eita, olha eu falando de novo, que maravilha, escuta a minha pronúncia: Quem descapibarizar o rio capibaribe, bom descapibarizador, será.
[macaco pigarreia]
[Macaco] Perdão, vamos começar… Estão prontos? Pois vamos lá. Antes de começar-começando, eu vou me apresentar, eu sou o macaco Tião, ao seu dispor. Mas nem sempre foi assim… Eu moro no Paraguai, desde antes de se chamar Paraguai. Eu vivia com o povo Guarani nas matas, antes da minha terra ser colonizada. E na minha aldeia tinha uma velha, uma só não, muitas, mas essa é especial para essa história…
[barulho das tripas se contorcendo]
[Anciã] Hoje eu acordei com tanta fome, daria tudo para comer um mbejú,
um vori vori ou até uma chipa. Mas na oca não tenho nada.
[macacos riem e conversam]
[Anciã] Hum que barulheira, vou ver o que se passa.
[Benitez] Sobe logo Gonzales, que molenga.
[Martinez] Muito mole, eu já estou no mais alto, mais alto, mais alto…
[Gonzales] Eu não sou mole, meu tempo é diferente. Os araçás não vão acabar até eu chegar aí.
[Martinez] Do jeito que o Benítez tá comendo, vão acabar sim. [ri]
[Gonzales] Vocês parecem gêmeos de bobagem, até no nome, Martínez, Benítez, Benítez, Martínez.
[discussão]
[Anciã] Curumins, curumins, não precisa de tanto barulho para pegar alguns araçás.
[barriga ronca]
[Anciã] Ai minha barriguinha. Aproveitando que já estão aí em cima, poderiam juntar uns dez ou vinte araçás e trazer pra mim?
[Gonzales] Claro, anciã, já leva…
[Benitez] Você tá louco Gonzales. Essa velhinha tá querendo se aproveitar da gente pra fazer o trabalho dela.
[Martinez] É, e sabe o quê mais, pra pegar araçá pra ela eu vou ter que parar de comer, e eu não quero.
[Gonzales] Ô dona velha, a senhora pode subir que tem araçá suficiente pra todo mundo.
[macacos riem]
[Anciã] Mas como? Eu já estou esbaforida de andar da oca até aqui.
[Benitez] Mas é uma subidinha de nada, até o Gonzales que é molenga, conseguiu.
[Anciã] Pequenos Curumins, olhem para mim, se tivesse a idade de vocês subiria com todo prazer. Mas não consigo e ainda não comi hoje, me deem ao menos um araçá.
[Benitez] Eu mesmo não vou parar de comer.
[Martinez] Eu mesmo não vou parar para catar.
[Gonzales] Eu mesmo não vou descer para depois subir.
[Tupã] Ouçam bem!
[trovão ameaçador]
[Tupã] vocês três aí em cima do pé de Araçá.
[Martinez] Será que ele tá falando com a gente?
[Benitez] Quem, quem, quem é você?
[Tupã] Eu sou Tupã, Deus da natureza e do natural.
[Benitez] Meu Deus… Tupã. Não fizemos nada…
[Gonzales] A velhinha que é dedo-duro, isso pode?
[Tupã] Silêncio!
[trovão estridente]
[Tupã] Eu vi tudo, ouvi tudo e senti a tristeza dessa anciã que na sua vida toda contribuiu para que a aldeia prosperasse e agora vocês debocham dela por não poder subir numa árvore?
[Gonzales] Não era deboche, era brincadeira.
[Benitez] É, brincadeira…
[Martinez] Não podemos mais brincar? O que nos diziam era que Tupã tinha senso de humor.
[Tupã] Claro que podem brincar. [ri] Ah eu tenho um senso de humor dos Deuses!A partir de hoje vocês serão macacos, e viverão em cima das árvores, brincando, em busca de alimento.
[macacos se espantam e choram]
E por terem zombado da fala fraca da anciã eu tiro de vocês a capacidade de falar.
[trovão]
[Tupã e Anciã riem]
[Macacos] [indignados] Uh, ah, ah! Uh, ah!
[Tupã] Ha, ha, haa, haaa!
[Macacos] Uh, ah, ah! Uh, ah! Uh, ah, ah!
[Macacos] Uh, ah, ah! Uh, ah! Uh, ah, ah!
[Macaco] Tupã além de transformar os meninos em macacos,
acabou povoando toda a floresta paraguaia com esse bichinho tão fofinho e simpático. E até hoje quando alguém vê um macaco pulando numa árvore fala: Ah, como são engraçadinhos esses macaquinhos.
[Tupã] Pronto, Benítez, agora que contou a sua história, vai voltar a falar em macaquês.
[Macaco] Meu nome agora é Tião. Espera aí Tupã, deixa eu contar outra, eu sei uma de um menino e um passarinho.
[explosão]
[Tião] Uh, ah, ah! Uh, ah!
[Tupã ri]
[crianças] Célio, o homem que conheceu o Aurélio.
[Célio] Uuuu aahhh uuaa uuuaaa!! Olá eu sou Célio, o homem que conheceu Aurélio, e hoje já começamos com uma curiosidade: Eu sou poliglota! Além de Português, Espanhol e Coreano,eu também sou fluente em macaquês. Nesse episódio, viajamos no tempo e no espaço, para o Paraguai pré-colonial, ou seja, antes da invasão espanhola. Essa viagem só foi possível graças ao nosso querido símio Tião, por meio dos seus guinchos e assobios, que foram chancelados pela divindade multinacional, Tupã.E você, você sabia?
[crianças] Você, você sabia?
[Célio] Você sabia que a crença em Tupã existe entre os povos originários de vários países latino-americanos,inclusive do Brasil? Tupã é a manifestação de deus através do trovão, sua voz ressoa através do som Tu-pá [trovão], Tu-pã [trovão] ou Tu-pana [trovão]. Assim, deus fala na tempestade através do Tupã-cinunga [trovão], "o trovão" e, depois de três segundos, aparece como Tupãberaba, o relâmpago. Se antes você não sabia, agora você sabe. E quem sabe, sabe!
[crianças] Você, você sabia?
[Célio] A história que você acabou de ouvir, se passa no Paraguai, o único país da América do Sul a ainda utilizar o Guarani, idioma nativo dos indígenas Guarani, como idioma oficial. Preservar a língua é tão importante que os adolescentes estudam o idioma na escola. Muitos paraguaios, aliás, utilizam mais o Guarani que o espanhol no dia a dia, então vamos praticar um pouco: "Ojoguata jepokuaa guarani paraguaya. Hum, aprendi mais um idioma! E agora vamos aos comerciais:
[música de propaganda]
[Vendedor]Pensou em economia e artigos importados? Pensou, Ciudad del Este. Aqui você encontra artigos diversos como celulares importados, óculos de sol importados, perfumes importados e o tererê nacional. Pensou importados lembrou Ciudad del Este. Atenção, brasileiros não precisam de passaporte.
[Célio] Vamos agora para o nosso quadro:
[vinheta instrumental]
[Homem] Fatos curiosos que geram curiosidade.
[criança 1] FATO CURIOSO NÚMERO 1.
[Célio] A música paraguaia é bem dançante e animada, por lá as pessoas amam reunir a família, e, claro, dançar! Além do reggaeton, há mais dois ritmos que fazem muito sucesso: o guaranã e a cachaca. Qualquer semelhança, é pura coincidência!
[criança 2] Fato curioso número 2.
[Célio] A bandeira Paraguaia é a única do mundo que tem diferença em seus dois lados. O anverso, lado da frente, apresenta o brasão nacional, com uma estrela dourada representando a independência. O reverso, lado de trás, exibe o selo do Tesouro, com um leão dourado diante de uma lança, o qual simboliza a coragem do povo paraguaio.
[criança 3] Fato curioso número 3.
[Célio] Andar de um país para o outro em apenas alguns minutos parece mágica, malassombro ou coisa de superheroi? Pois visitando a Usina Hidrelétrica de Itaipu você consegue! Metade está localizada na cidade brasileira de Foz do Iguaçu e metade em Ciudad del Este, no Paraguai!
[Célio] No quadro...
[Homem] Filologia antes do rango.
[Célio] Quem mais quis compartilhar com a Anciã da nossa história um mbejú,
um vori vori e uma chipa? O Mbejú é uma espécie de tapioca, também feita de mandioca. Conhecida por sua textura crocante, é prima-irmã do beijú criado pelos indígenas brasileiros. Já a chipa, é prima do nosso pão de queijo! O Vori Vori é uma sopa de carne,com pequenas bolinhas de farinha de milho.Por fim, não poderia deixar de falar do araçá! Essa frutinha de sabor doce e levemente ácido é prima da goiaba e da jabuticaba. Temos um menu completo, entrada, prato principal e sobremesa! Mba'eichaitépa he'ẽ tembi'u paraguayo! Ou, que deliciosa é a culinária do Paraguai!
[crianças] Célio, o homem que conheceu o Aurélio.
[vinheta de encerramento]
[música animada]
♪ Você ouviu nossas histórias ♪
♪ Que acabamos de contar ♪
♪ São todas a mais pura verdade ♪
♪ Você pode acreditar ♪
♪ Mas se houver aqui presente ♪
♪ Mas se houver aqui presente ♪
♪ Alguém que possa duvidar ♪
♪ Que venha aqui e conte outra ♪
♪ Bem melhor no meu lugar ♪
♪ Que venha aqui e conte outra ♪
♪ Bem melhor no meu lugar ♪♪
♪ música animada ♪
[Narradora]E por hoje é só. Espero que tenha gostado da nossa aventura no Paraguai. E no próximo episódio, para onde será que vamos? Humm, não posso contar, mas com certeza será um achado dentro desse baú.
[crianças] A História acabou, o baú se fechou. Tchau!
[baú range e fecha]
♪♪
♪ música animada ♪
[mulher] O Baú de Achados é uma realização do Teatro de Retalhos com a produção da Toró de Idéias, incentivo do Funcultura, Fundarpe e Governo do Estado de Pernambuco. Quer saber mais sobre nós? Segue a gente em @teatro de Retalhos, no Instagram, no youtube ou visite o nosso site.
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