Postagem em destaque

Onde ouvir o podcast?

  CLIQUE NO LINK ABAIXO, ESCOLHA UMA PLATAFORMA  E OUÇA TODOS OS EPISÓDIOS: https://pod.link/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy82NGJjNTdhMC9wb2RjYXN...

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Paraguai

O Paraguai é, sem dúvidas, um dos países mais incompreendidos e fascinantes da América do Sul. Encravado no coração do continente, sem saída para o mar (o que o levou a séculos de relativo isolamento político e cultural), o Paraguai desenvolveu uma identidade única, marcada por uma fusão simbiótica quase perfeita entre o europeu e o indígena. Aqui, a cultura nativa não foi empurrada para as margens: ela define a nação.

A maior diferença cultural do Paraguai em relação a qualquer outro país das Américas é o seu bilinguismo. O Guaraníé falado por mais de 80% da população, inclusive por aqueles que não têm nenhuma ascendência indígena. Na verdade, a maioria dos paraguaios se comunica em Jopara (que significa "mistura" em guaraní), uma fusão linguística que transita dinamicamente entre o espanhol e o guaraní no meio da mesma frase. O guaraní é uma língua afetiva, onomatopaica e visceral; os paraguaios costumam dizer que há coisas que só podem ser sentidas e ditas em guaraní.

 Nandutí, renda tradicional paraguaia

A música tradicional paraguaia é dominada pela Harpa Paraguaia. Modificada localmente para ser mais leve e ter mais cordas que a harpa clássica europeia, ela produz um som cristalino e cascateante, que imita os sons da natureza e das aves do Chaco. E para aguentar o calor intenso enquanto se ouve uma Polca Paraguaia, entra em cena o Tereré. Ao contrário do mate uruguaio, o tereré paraguaio é profundamente comunitário. Ele é preparado em uma jarra com quilos de gelo e pohã ñana (ervas medicinais machucadas na hora, como hortelã ou capim-santo) e a cuia (guampa) vai passando de mão em mão, ditando o ritmo das conversas à sombra das árvores.

Detalhe da paisagem do Chaco Paraguaio

Curiosidades:

  • É o único país da América Latina onde a grande maioria da população não indígena fala a língua nativa: o guaraní. É idioma oficial junto com o espanhol e, no dia a dia, os dois se misturam criando o jopara (que significa "misturado").

  • No Paraguai o rei absoluto é o Tereré (Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO). É a infusão da erva-mate, mas feita com água trincando de gelada e ervas medicinais, perfeita para o clima caloroso do país.

  • Na fronteira com o Brasil fica Itaipu, uma das maiores centrais hidroelétricas do planeta, uma obra de engenharia monumental.
  • A região do Chaco Paraguaio ocupa mais de 60% do território nacional, mas abriga menos de 3% da população. É um ecossistema semiárido, selvagem e fascinante, lar de onças-pintadas, pumas e uma variedade imensa de aves exóticas.
Músico tocando Harpa Paraguaia

Nicarágua

 A Nicarágua é uma terra de extremos geográficos e de uma riqueza literária impressionante. Conhecida como a "Terra de Lagos e Vulcões", o país carrega na pele as marcas de revoluções políticas recentes e de uma natureza que ruge constantemente. O povo nicaraguense (ou nica) é conhecido por sua resiliência, sua calidez e por um orgulho cultural imenso que se traduz em duas coisas: poesia e teatro de rua.


Vulcão na Ilha de Ometepe


Na Nicarágua, a poesia não é algo restrito às elites. É o país de Rubén Darío, o pai do Modernismo literário hispano-americano. O nicaraguense comum recita poesia e se orgulha disso. No falar diário, eles utilizam o voseo (o uso do "vos" em vez do "tú", semelhante ao Cone Sul), mas com um sotaque caribenho e centro-americano muito próprio, onde as consoantes finais costumam ser aspiradas, dando um ritmo suave e cantado à conversa.

A maior expressão cultural do país é El Güegüense, uma peça teatral satírica que mistura dança, música e teatro, considerada a primeira obra literária da América pós-colombiana (e Patrimônio da UNESCO). Apresentada durante as festas padroeiras (especialmente em San Sebastián), os dançarinos usam máscaras de homens espanhóis de olhos azuis e roupas coloniais espalhafatosas, zombando dos conquistadores com movimentos de dança e diálogos de duplo sentido. É a pura essência do humor e da malícia nica contra a opressão.


Vista da Catedral de Granada

Curiosidades:

  • O Grande Lago da Nicarágua (ou Cocibolca) é o maior da América Central. A grande bizarrice é que ele é o único lago de água doce do mundo habitado por tubarões-touro, que se adaptaram subindo o Rio San Juan.

  • No Vulcão Cerro Negro, perto da cidade de León, nasceu o Volcano Boarding. Os viajantes sobem a pé esse vulcão de cinzas negras ativas e descem a montanha deslizando em alta velocidade sobre uma prancha de madeira.

  • No meio do Grande Lago da Nicarágua emerge a Ilha de Ometepe, formada exclusivamente por dois imponentes vulcões: o Concepción (ativo) e o Maderas (inativo, com uma lagoa em sua cratera).

  • Granada, fundada em 1524, compete pelo título de cidade colonial mais antiga da América continental que se mantém no seu local de fundação original. Suas igrejas amarelas são um espetáculo fotográfico.


     Dançarinos do festival El Güegüense

Uruguai

O Uruguai é o segundo menor país da América do Sul (o menor em extensão territorial é o Suriname), mas sua identidade cultural, sua costa atlântica e cultura o tornam gigante. É um país de planícies e sem grandes cordilheiras e laicidade do estado, o diferencia drasticamente da forte tradição católica dos seus vizinhos latino-americanos.


 

Candombe: expressão da cultura popular uruguaia

Ir ao Uruguai e não experimentar o mate é como não ir. Mas a diferença cultural aqui é o comportamento. Enquanto na Argentina o mate é um ato social para se compartilhar sentado ao redor de uma mesa, no Uruguai ele é individual e nômade. O uruguaio anda com a garrafa térmica debaixo do braço e a cuia na outra mão.

Embora divida o Tango com a Argentina, a verdadeira joia musical uruguaia é o Candombe. De raízes puramente afro-descendentes, o Candombe é baseado em três tambores: piano, chico e repique. Nos bairros de Palermo e Barrio Sur, em Montevidéu, não é preciso ser época de Carnaval para ouvir o chão tremer. Todos os fins de semana, os tamborileros saem às ruas em ensaios espontâneos, arrastando multidões em uma dança hipnótica que resgata a memória da resistência negra no Rio da Prata.


Colônia do Sacramento

Curiosidades:

  • No Uruguai, o mate não é apenas uma bebida, é quase uma extensão do corpo. Diferente de outros países vizinhos, os uruguaios andam na rua, vão ao supermercado ou andam de bicicleta com seu companheiro

  • É o único país do mundo que tem, por lei, uma festa nacional dedicada à nostalgia. Todo dia 24 de agosto (véspera do Dia da Independência), o país inteiro sai para dançar exclusivamente músicas dos anos 60, 70, 80 e 90.

  • Cabo Polonio é um lugar mágico na costa uruguaia. É uma vila de pescadores e artesãos dentro de um Parque Nacional onde não há eletricidade pública, ruas pavimentadas ou carros. À noite, o céu estrelado e o farol iluminam tudo.
  • Enquanto a maioria dos carnavais dura poucos dias, o uruguaio se estende por mais de 40 dias (entre janeiro e março). O desfile das Llamadas enche as ruas de Montevidéu com o ritmo do Candombe, herança da cultura afrouruguaia.

Escultura LA MANO, na areia da Playa Brava, em Punta del Este.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

República Dominicana

Quando pensamos na República Dominicana, a mente vai direto para Punta Cana. Mas esse canto caribenho é o autêntico berço da história colonial das Américas e um paraíso de biodiversidade.

O povo dominicano é o resultado de uma fusão intensa entre os indígenas Taínos (os habitantes originais da ilha), os colonizadores espanhóis e os povos africanos escravizados. Essa mistura gerou uma sociedade calorosa e uma das identidades mais vibrantes do Caribe.

Nas esquinas dominicanas, nos chamados colmados (pequenos mercados de bairro que funcionam como bares), as pessoas se reúnem para beber cerveja gelada e dançar. O ritmo? Merengue e Bachata. O Merengue, com seu ritmo acelerado baseado no som do güiro (um instrumento de metal raspado) e da tambora, é o hino nacional informal. Já a Bachata, que nasceu nos bairros marginalizados e já foi marginalizada, hoje é Patrimônio da Humanidade. 

Catedral Primada de América em Santo Domingo, a catedral mais antiga da América


Enquanto no resto da América Latina o futebol é quase uma religião, na República Dominicana o rei absoluto é o Beisebol (ou pelota, como chamam localmente). O país é o maior exportador de jogadores para a Major League Baseball dos EUA fora do território estadunidene. Outro traço cultural único é o uso dos colmados: locais onde você compra desde arroz até uma bebida, equipados com caixas de som gigantescas na calçada. É o ponto de encontro comunitário do povo dominicano.


Merengue e Bachata, ritmos tradicionais

Curiosidades 

  • A capital, Santo Domingo, abriga a Zona Colonial, onde foram construídas a primeira catedral, o primeiro hospital, a primeira alfândega e a primeira universidade de todo o continente americano. Caminhar por ali é viajar no tempo.

  • Todos os anos, entre janeiro e março, a Baía de Samaná se transforma no santuário de milhares de baleias-jubarte. Elas viajam do Atlântico Norte para acasalar e dar à luz nas águas quentes do Caribe.

  • É aqui que fica o Pico Duarte (3.087 metros acima do nível do mar), o topo do Caribe. Curiosamente, eles também têm o ponto mais baixo: o Lago Enriquillo, que fica a 46 metros abaixo do nível do mar e é habitado por crocodilos-americanos.

  • O Larimar é uma raríssima pedra semipreciosa de um azul-turquesa deslumbrante que só é encontrada em uma única mina no mundo inteiro, localizada nas montanhas de Barahona.


    Imagem do Pin de história

     Larimar, pedra semipreciosa

Guatemala

A Guatemala não é apenas um destino de passagem; é um mergulho profundo no epicentro da civilização Maia. O que mais impressiona quem desembarca nesse país da América Central é que o passado pré-colombiano não está em ruínas arqueológicas, mas vivo nas ruas, nos mercados e no cotidiano das pessoas. Ao contrário de vizinhos onde a cultura indígena foi massivamente assimilada, o povo guatemalteco mantém suas raízes na pele, na vestimenta e na alma.

A Guatemala é um país onde o passado e o presente coexistem; o próprio nome do país já nos dá uma pista da sua riqueza verde: vem da palavra náhuatl Quauhtlemallan, que significa "lugar de muitas árvores".

Lago de Atitlán

Embora o espanhol seja a língua oficial do comércio e do governo, a Guatemala é um verdadeiro mosaico linguístico. Lá são faladas 21 línguas maias diferentes (como o K'iche', o Kakchiquel e o Q'eqchi'). A identidade também se expressa no vestuário, como no huipil — a blusa tradicional tecida à mão pelas mulheres indígenas. Cada comunidade tem um padrão geométrico e cores específicas. O  huipil ftambém unciona como um mapa que diz exatamente de qual vilarejo aquela pessoa pertence.

A marimba é o instrumento nacional e o coração das festas guatemaltecas. Trata-se de um xilofone gigante, tocado por vários músicos ao mesmo tempo, que produz uma melodia rítmica, melancólica e festiva ao mesmo tempo. 


The Guatemalan Huipil: History, Symbolism, and Mayan Textile Tradition |  TRAMA TEXTILES – Trama Textiles | Women's Weaving Cooperative
mulher veste o tradicional huipil

Curiosidades:

  • O país abriga 37 vulcões oficiais. O Vulcão de Fogo é famoso por estar em constante atividade, enquanto o Pacaya é o favorito dos viajantes que querem caminhar sobre rocha vulcânica quente.

  • Para os maias, o cacau era a bebida dos deuses e suas sementes eram usadas como moeda. A Guatemala é considerada o berço do chocolate, e hoje você pode provar variedades artesanais incríveis com pimenta ou cardamomo.

  • O Lago de Atitlán, cercado por três majestosos vulcões e vilas indígenas, é o mais profundo da América Central. Os locais dizem que ele é guardado pelo Xocomil, um vento forte que limpa as águas todas as tardes.
  • Embora o espanhol seja a língua oficial, na Guatemala são faladas 21 línguas maias diferentes, além do xinka e do garífuna. Uma diversidade cultural impressionante.


 Arco de Santa Catalina na cidade colonial de Antigua Guatemala




Onde ouvir o podcast?

 


CLIQUE NO LINK ABAIXO, ESCOLHA UMA PLATAFORMA E OUÇA TODOS OS EPISÓDIOS:


https://pod.link/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy82NGJjNTdhMC9wb2RjYXN0L3Jzcw


quarta-feira, 27 de maio de 2026

Transcrição com LSE - Ep. 05 - Guatemala - Quetzal, o Imortal

 [crianças gritam e riem] Baú de Achados!


[Narradora] Olá, pequena irmã! Olá, pequeno irmão! Você acaba de abrir o Baú de Achados. 


[baú abre e range]


♪ música instrumental latina ♪


[Narradora] É aqui que a gente guarda as histórias e as criaturas fantásticas que dividem com a gente esse território mágico chamado América Latina. Se tem uma coisa que o nosso povo sabe fazer, é criar encantamento. Então, prepare-se. No sopro do vento, 


[vento uiva forte]


[Narradora] nós vamos fazer uma viagem... e vamos chegando na... Guatemala!


♪♪


♪ violão em ritmo latino ♪


[Lila] Oi, meu nome é Lila, vim voando da Guatemala contar para vocês a história de Quetzal que se tornou imortal. Como? vocês duvidam que alguém pode se tornar imortal? pois espere e verão. Eu mesma presenciei essa história. 


[choro de bebê]


[Lila] Tudo começou quando nasceu o filho mais novo do chefe da aldeia Quiché. 


♪ 


[Chefe] Olhem todos, venham, vejam, meu filho nasceu. Os deuses me disseram que ele foi predestinado a fazer grandes coisas pelo nosso povo. 


[burburinho do povo]

[Chefe] Ele irá se chamar Quetzal. 



[Pajé] Como Pajé da aldeia eu lhe darei esta pena de colibri, 


[efeito de carrilhão]



[Pajé] que ele deverá sempre trazer consigo para lhe proteger. O colibri representará boa sorte para o menino. Quando ele fizer dezoito anos será revelado o seu destino. 



[Lila] Após a fala do Pajé todos celebraram o nascimento de Quetzal comendo Kak'ik, Hilachas e tamales guatemaltecos. Aproveitando esse momento de festas vamos dar um salto no tempo e vamos para outra festa, 


[efeito de flauta] 


[Lila] a celebração de dezoito anos do menino Quetzal. Era um momento muito importante pois a partir dessa idade Quetzal poderia participar de todos os assuntos do seu povo. A festa, claro, teve muita música. 


♪ violão em ritmo latino aumenta ♪


[Lila] E é óbvio que não poderia faltar a revelação do destino de Quetzal feita pelo Pajé.


[cochichos]


[Pajé] Com essas sementes lançadas ao chão será revelado o seu destino


♪♪

[Pajé balbucia] 


♪ violão em ritmo latino aumenta ♪


[Pajé]  Hum, hum, hum… Nunca havia visto nada assim. O desenho que as sementes formaram dizem… que você não morrerá nunca! Viverá ao longo de todas as gerações de Quichés. 


[burburinho]


[Chiruma] Eu não sei como isso é possível. É muito babação com um moleque que não sabe nada da vida…



[Lila] Esse que está falando é Chiruma. Irmão mais velho de Quetzal.  


[Chiruma] Isso mesmo, mais velho. Mais Ve-lho, ou seja mais sa-bi-do. 


[Lila] Eles já entenderam Chiruma. Me deixa continuar a história



[Chiruma] Mas você não entendeu, eu sou o mais ve…


[interferência no microfone]


[Lila] Opa, tivemos um pequeno problema com o microfone dele. Continuando: Chiruma, como vocês puderam ouvir, foi o único que não gostou da revelação do Pajé. Toda a aldeia ficou muito feliz em saber que teriam um chefe que viveria para sempre e poderia manter viva as histórias e tradições do povo Quiché. E era exatamente o que alegrava o povo, que irritava Chiruma, pois sendo ele o…


[Chiruma] mais velho…


♪ 


[Lila]  Quem ligou novamente esse microfone? Retomando, sendo ele o mais velho, era esperado que fosse Chiruma o próximo Chefe, quando o pai morresse. Mas com esse prenúncio quem iria governar seria Quetzal. 


[Lila] Pouco tempo depois da revelação, o povo Quiché entrou em conflito com outro povo que queria tomar suas terras.



[socos, gritos e flechas]


 [Lila] E Quetzal estava lutando bravamente com seu povo e ao seu lado, acompanhando cada detalhe estava seu irmão Chiruma. 


[Chiruma] As flechas que são lançadas em direção a Quetzal não o acertam, Como é possível? É como se ele tivesse um escudo invisível que o protege. Ele deve mesmo ser imortal como o Pajé previu. Mas isso não pode ser. Como Quetzal pode viver eternamente? Deve haver algo que o proteja. 



[Lila] E como quem procura acha, se não um prego, uma tacha, Chiruma achou.



[Chiruma] Já sei por que a morte o respeita. Deve haver um amuleto que o protege. Vou esperar ele dormir para pegá-lo. 



[Lila] E quando todos estavam dormindo, Chiruma entrou na tenda de Quetzal e procurou um amuleto em seu peito, 


[Chiruma ri]



[Lila] mas não encontrou nada. Frustrado, ia saindo, quando reparou na pena de colibri que o irmão trazia na cabeça desde o nascimento, e teve a certeza que ela era seu amuleto. E a levou consigo, no caminho para sua tenda, lembrou da fala do Pajé.  


[Pajé balbucia palavras inaudíveis] 


[Lila] Essa fala não! A outra.



[Pajé] O colibri representará boa sorte para o menino.


[Lila] E a morte visitou a aldeia. Mas não para levar Quetzal e sim seu pai, o velho Chefe. 



[Pajé] Com a morte do Chefe, eu Pajé do Quiché, juntamente com os anciãos e anciãs, nomeamos Quetzal o novo chefe do nosso povo. Que seja leve.  



[Lila] Chiruma não se irritou… 


[Chiruma] Eu não, sem o amuleto Quetzal pode ser derrotado. Tudo é uma questão de esperar o momento certo. 


[Lila] Meu Tupã!


♪♪

 


[Lila] Além de querer roubar o lugar de chefe de Quetzel, você quer tomar meu lugar de narradora dessa história?


[Chiruma] Não, só queria ajudar…


♪ violão em ritmo latino aumenta ♪


[Lila] Pouca ajuda, pouca ajuda… retomando: Um dia que Quetzal andava pela mata sozinho, uma colibri linda e sábia pousou em seu ombro. “Quetzal, sou sua protetora. Venho lhe pedir que tome muito cuidado com um certo rapaz…”


♪♪


[Chiruma] Tá vendo aí, você não quer que eu fique interrompendo, mas fica falando de mim pros outros. 


[Lila] Primeiro que não falei que eu era a colibri e segundo não falei que você era o rapaz. 


[Chiruma]  Claro que era você, a voz é igual, e você é uma colibri. E o rapaz só pode ser eu, eu que quero ser chefe no lugar de Quetzal. 


[Lila] Ahh!!!, você está estragando a história com suas interferências. Deixa o público descobrir por eles mesmos. 


[Chiruma] Ahh, perdão. Fui. 


[passos apressados]


♪ violão em ritmo latino aumenta ♪


[Lila] Mas Quetzal não sabia de qual rapaz se tratava. E antes que a colibri pudesse explicar melhor, uma flecha cortou o ar e atingiu Quetzal, que caiu ferido. No chão, já pronto para morrer, ele lembrou que os deuses falaram que ele era imortal, e era mesmo. 


[Chiruma] Ora bolas!



[Lila] E Quetzal viu seu corpo se transformando. Seu corpo pegou a cor da mata, um verde deslumbrante, seu peito ficou vermelho, o mesmo vermelho do sangue que escorria por causa da flecha. O sol colocou outras cores em seu corpo e longas penas em um cauda. (Som do pássaro Quetzal) Nascia naquele momento o Quetzal, o pássaro que se tornou sagrado e que nunca foi caçado pelos Quichés e que até hoje mantém viva a tradição desse povo. 


[pássaro canta]



[Chiruma] Tá certo. Meu irmão ficou imortal e bonito, e tal. Vive cantando por aí. E eu que sou o protagonista da história por ser o mais velho, o mais ve-lho. Não vou ter um final feliz¿ Não vai falar, colibri linguaruda, sobre o meu final?


[Lila] Você viveu muito. Ficou muito e muito, e muito, e muito… chato. O mais chato de toda aldeia, não o mais chato da Guatemala, não, o mais chato da América Latina…



[Chiruma] Pare de contar tudo errado. Não posso ter um fim assim, o que as pessoas vão pensar de mim… Lila… 


[crianças gritam] Célio, o homem que conheceu o Aurélio!


♪ piano compassado animado ♪


[Célio] Olá eu sou Célio, o homem que conheceu Aurélio, e hoje estaremos falando aos vivos: mortais e imortais, através dessa gravação. Nesse episódio, fomos conduzidos nas asas de uma esperta colibri…

 

[Chiruma] E do incrível Chiruma, que não é imortal, mas é mais velho que Quetzal, mais ve-lho, e, portanto, mais merecedor de liderar o seu povo e ...

 


[Célio] Alguém, por favor, traz uma garapa para Chiruma, ele está um tanto nervoso. Dizia eu, fomos conduzidos ao apogeu da civilização Maia graças ao chilreios e trinados da colibri Lila...

 

[Chiruma] E não esqueça dos palpites e colaborações espontâneas do humano Chiruma!

 

♪♪


[Célio] Eu desisto. Vou tirar férias. No último episódio da temporada, um profissional da minha competência não precisa passar por isso. Prefiro me aventurar em um dos 30 vulcões da Guatemala. Segue você, Chiruma. 


 ♪♪


[vinheta]


[criança] Chiruma, O Homem que chateou o Célio que conheceu Aurélio.

 

[Chiruma] Eu? Finalmente vou ser o chefe! Tá ligado esse microfone? Teste, teste… E você, você sabia?

 

[crianças gritam] Você, você sabia?


♪ piano compassado animado ♪


[Chiruma] Você sabia que nós, guatemaleses, guatemalenses ou guatemaltecas, temos mais de vinte e um idiomas indígenas no nosso país? 


[crianças gritam] Não!!!

[Chiruma] A história que você acabou de ouvir é tradicional do meu povo, os Quichés, descendentes diretos do incrível povo Maia. Se você não sabia, agora sabe...



[crianças gritam] Você, você sabia?


[Chiruma] E sabe do que mais? O metido do meu irmão mais novo, Quetzal, se transformou em uma ave de plumagem colorida e sagrada, e se espalhou por toda a América Central. Também, voando, até eu. O moleque ainda se tornou a ave nacional da Guatemala e deram até o nome dele até para a moeda nacional. Grande coisa. Melhor chamar logo os comerciais.


♪♪

 

♪ instrumental em ritmo de reggae ♪


[divugadora] Que cheiro bom é esse vindo da Guatemala? Só pode ser o perfume Cardamomo nº1. O único perfume feito cem por cento de cardamomo. Para se perfumar ou aromatizar a sua casa, use: Cardamomo nº1.


 

[Chiruma] Vamos agora para o nosso quadro:


[vinheta]

 

[homem] Fatos curiosos que geram curiosidade.


[criança 1] Fato curioso número 1.


♪ solo de piano ♪

 

[Chiruma] A Guatemala está bem no Cinturão de Fogo do Pacífico, o que quer dizer que vez por outra um terremoto agita as coisas por aqui. 



[tremor de terra]


[Chiruma] Opaaa! Será que vai começar mais um?


♪♪

 

[Célio] Nada disso, sou eu voltando ao meu posto, minha passagem para Tikal ficou para o mês que vem. Chiruma, acho que tem um fã te esperando lá fora.

 

[Chiruma]  Sério? Ha! Sabia que um dia seria reconhecido. 


[porta bate]


[Chiruma bate na porta] 

 

[Chiruma]  Ei! Não tem ninguém aqui, ei!

 

[Célio] Por favor, crianças, sigamos.


♪ vinheta ♪


♪♪


[criança 2] Fato curioso número 2.


♪ solo de piano ♪

 

[Célio] A celebração do Dia dos Mortos na Guatemala é uma verdadeira festa no cemitério! As famílias honram seus entes que partiram com oferendas de flores, alimentos e fotos. Em alguns lugares, tem até um festival de pipas gigantes! As pipas são uma forma de enviar mensagens aos espíritos e manter viva a lembrança das suas existências terrenas.


 ♪♪


[criança 3] Fato curioso número 3.


♪ solo de piano ♪


[Célio] Os guatemaltecas inventaram a primeira barra de chocolate do mundo! O povo maia considerava a árvore do cacau sagrada e chamavam o chocolate de “A Comida dos Deuses”. Eu não posso deixar de concordar! Falando nisso... 



[vinheta]


[Homem] Filologia antes do rango.



[Célio] No quadro, filologia antes do rango, vamos degustar sonoramente o rico cardápio servido na festa de nascimento de Quetzal.

 

[Chiruma] [grita do lado de fora] O meu irmão MAIS NOVO!


 

[Célio] [pigarreia] Kak'ik, Hilachas e tamales guatemaltecos. Um dos alimentos indígenas mais populares é o Kak'ik, um ensopado de carne de peru, alho, cebola, coentro fresco, pimenta malagueta e outras especiarias. Se você, como eu, adora uma pimentinha, vai querer experimentar uma porção de Hilachas, carne desfiada picante. Ambos servidos com arroz ou tortilhas de milho. Não podemos sair da festa sem saborear uns bons tamales! Massa de milho recheada com carnes, queijos, pimentas e vegetais, embrulhadinha em cascas de milho ou folhas de bananeira e cozida no vapor.



[barulho ininteligível]


[Célio]  Ué, será que é o Chiruma de novo? Ah, não, dessa vez foi meu estômago que ficou animado! 


♪♪


[crianças gritam] Célio, o homem que conheceu o Aurélio!


[música animada]


♪ Você ouviu nossas histórias ♪

♪ Que acabamos de contar ♪

♪ São todas a mais pura verdade ♪

♪ Você pode acreditar ♪

♪ Mas se houver aqui presente ♪

♪  Mas se houver aqui presente ♪ 

♪  Alguém que possa duvidar ♪

♪  Que venha aqui e conte outra ♪

♪  Bem melhor no meu lugar ♪

♪  Que venha aqui e conte outra ♪

♪  Bem melhor no meu lugar ♪♪


♪ música latina animada ♪

 

[Narradora] E por hoje é só. Espero que tenha gostado da nossa aventura na Guatemala. E no próximo episódio, para onde será que vamos? Humm, não posso contar, mas com certeza será um achado dentro desse baú.


[crianças] A História acabou, o baú se fechou. Tchau! 


[baú range e fecha]


♪♪


♪ música animada ♪


[mulher] O Baú de Achados é uma realização do Teatro de Retalhos com a produção da Toró de Idéias, incentivo do Funcultura, Fundarpe e Governo do Estado de Pernambuco. Quer saber mais sobre nós? Segue a gente em @teatro de Retalhos, no Instagram, no youtube ou visite o nosso site. 


♪♪